quarta-feira, 7 de maio de 2014

Prólogo - Vale do Lorire , França Novembro de 1565




Chauncey estava com a filha de um lavrador na relva ás margens do rio Loire quando a tempestade se aproximou . Por ter deixado sua montaria perambular pela campina, ele não tinha opção a não ser se voltar para o castelo com os própios pés . Arrancou uma fivela de prata di sapato colocou-a na palma da da moça e observou enquanto ela se afastava correndo , a barra da saia imunda de barro . Em seguida , calçou as botas e partiu para a casa . 




A chuva desabava pelos campos cada vez mais escuros nos arredores do Château de Langeais. Chaunchey caminhava com segurança sobre os túmulos afundados e as folhas podres do cemitério . Mesmo na neblina mais espessa ele conseguia achar o caminho de volta , e não tinha medo de se perder . Não havia neblina naquela noite , mas a escuridão e a crueldade da chuva já criavam dificuldades suficientes.
Chauncey captou um movimento com o canto do olho e voltou bruscamente a cabeça para a esquerda . O que á primeira vista parecera ser uma enorme estátua coroando uma sepultura proxima ergueu-se majestosamente . Não era feita de pedra, nem mármore. O garoto tinha braços e pernas . O peito estava despido , os pés , descalços e calças de camponês pendiam abaixo da cintura . Ele desceu da lápide com as pontas dos cabelos negros enchacardos pela chuva pingando . As gotas desciam por seu rosto , quera tão moreno quanto de um Espanhol . 
A mão de Chauncey dirigiu-se ao punho da espada 
- Quem está ai ?
A boca do jovem esboçou um sorriso . 
-Não brinqueis com o duque de Langeais - avisou Chauncey . - Perguntei seu nome . Dizei-o .
- Duque ? - o rapaz apoiu-se no tronco sinuoso de um slagueiro .- Ou bastardo ? 
Chauncey desembainhou a espada . 
- Retirai oque dissestes ! Meu pai foi o duque de Langeais . Eu agora sou o duque de Langeais - acrescentou, amaldiçoando-se pela maneira desajeitada como dizia aquilo .
O Jovem sacudiu a cabeça devagar .
-Vosso pai não era o velho duque . 
Chauncey enfureceu-se diante de um insulto tão ultrajante.
-E vosso pai ? - questionou , estendendo a espada . Ainda não conhecia todos os seus vassalos, mas estava aprendendo . Guardaria na memória o sobrenome do rapaz.